Às vezes me pergunto por que as pessoas ainda se esforçam para fazer filmes. Em especial, filmes que se propõem a levantar teses. E, em especial, filmes que se propõem a levantar muitas teses.
I want your sex sofre desse mal. Quer falar de uma geração (a Z) sexualmente frustrada e frustrante? Quer. Quer falar de como o sexo virou performance e estética abandonando o prazer carnal e cerebral? Quer. Quer falar da precarização do trabalho e da impossibilidade financeira dos jovens amadurecerem? Quer. Quer falar de como a arte virou (ou sempre foi) um mercado de celebridade e especulação? Quer. Ele quer muitas coisas, mas consegue muito pouco.
Tudo é mencionado, quase como uma anedota, e nada chega a um ponto onde a gente se depare com um novo tema ou com um novo olhar sobre um velho tópico. Consumido por tantas vertentes, o plot acaba recheado de muitas obviedades com as quais quase não conseguimos nos importar.
Acaba que nessa comédia não rimos com o absurdo da realidade, nem com os personagens (coitados, tão mal construídos, mas carregados com coragem por Wilde, Sui Wonders, Hoffman e XCX). Rimos apenas com os bordões, referências e memes que já vivemos no dia a dia, como se estivéssemos assistindo a uma versão indie de A Praça é Nossa transmitida pelo Tik Tok.
Pra piorar, além do excesso de temas que pasteuriza os personagens, há um excesso de recursos narrativos (interrogatório com flashbacks, iniciar o filme do climax(???), o uso da animação pra metaforizar algumas situações) que não são devidamente explorados ao ponto de constituir uma estética própria. É quase como se Gregg Araki tivesse acordado de um sonho com muitas ideias legais e, quando foi colocar elas no papel, não conseguisse escolher o que realmente queria dizer. OK, definir um foco para uma obra pode parecer meio careta e nada indie, mas a plateia pode se beneficiar de perceber o quanto o roterista/diretor pensou no assunto.
O cinema é, sim, performance, exatamente como o sexo, mas também pode ser carnal e cerebral. E a I want your sex faltou esse desejo.